Levai-me à adega

Ultrapassado ao figurativo, a pintura de Albertina Prates revela sensualidade e paixão, em uma poética de pessoal dramaturgia.

Expressivos e simbólicos, os corpos emergem da tela, do tempo, afirmando em pormenores rebuscados de detalhes. Um delirante universo teatral. São homens, mulheres, divindades… Atores expondo a potência vital de seus corpos. Não vou me ater ás senas representadas, mas às interiorizada, apreendidas pela autora, que admite em seu discurso estar representado um pouco de si. Segundo Eleanor Heartney “A arte de hoje está repleta de celebrações do corpo, da natureza, da tradição, da beleza e o ego.”

Na estética esse rumo do pensamento assume a relação arte/vida e as máscaras nos seus personagens, funcionam como veículo para desfrutar da autonomia e encarnar o ser em ato. “Na Grécia Antiga, o poeta lírico Thespis, organizador das danças e coros do ditirambo, ao usar pela primeira vez a máscara nos festejos de Dionísio, não representou este deus. Ele atuou como Dionísio, para viver as potencialidades da festa, e da embriaguez”

Os personagens de Albertina não se alienam, antes de tudo suas cores suscitam calor em semblantes vaidosos, narcisistas, vigorosos.

Talvez este trabalho denote o inconsciente desejo transgressor de atuar nas diversidades de papéis por ela antes reprimidos, revelando segredos, pintando personagem que habitam seus anseios, sua mente, sua alma.

 

Giovana Zimermann

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